Pois é, estou eu aqui de novo falando de Michael Jackson. Mas realmente não resisti diante da entrevista que está hoje no jornal Folha de São Paulo com o jornalista Gay Talese que nos anos 60, em parceria com o amigo Tom Wolfe, lançou o chamado “new journalism”.
O tema da entrevista não era Michael Jackson, mas a imprensa de maneira geral e a sua participação na Flip, em Parati.
Na entrevista Talese afirma que Michael Jackson “é um bom exemplo do que pior tem acontecido” (no caso na imprensa). “A imprensa deve desculpas a Michael Jackson… A forma como o trataram é horrível.” Ainda na matéria da Folha de São Paulo, escrita pelo jornalista Marcos Strecker, Talese afirma que “os problemas do astro pop – drogas, isolamento – se agravaram pela forma irresponsável com que a imprensa lidou com as acusações de abuso sexual que sempre pesavam sobre ele.”
Talese vai além, diz que Michael Jackson morreu difamado antes de ter morrido e que seja qual for a razão que o legista der para a morte, não vai fazer diferença. “Ele começou a morrer quando as acusações ganharam as manchetes…” “Agora que Michael Jackson está morto todos se lamentam, como se sua morte fosse uma tragédia nacional. Mas ele já era uma tragédia nacional todos esses anos e ninguém o ajudou. Viveu em infâmia.”
Na bela entrevista de Marcos Strecker, Talese fala sobre o papel da imprensa na busca pela verdade. Aliás vale a leitura, está no caderno Ilustrada de hoje, dia 2 de julho.
Há algum tempo eu vinha ensaiando para escrever algo mais sobre a morte de Michael Jackson e sobre o jornalismo, motivada pela decisão do Supremo que acabou com a validade do diploma para o exercício da profissão. Nesse momento senti uma vontade grande de falar sobre os dois assuntos. Começo com Michael Jackson.
Não só a imprensa, mas também as pessoas em geral sempre se acharam no direito de julgar o astro pelos seus comportamentos estranhos. Mas que direito temos nós de julgar alguém? Que atire a primeira pedra quem nunca errou… Mulheres de cabelos crespos fazem o possível e o impossível para alisar, até com o uso irresponsável de formol. Alguém as critica por isso? Se Michael Jackson queria ser branco o problema era dele e só dele. Ele mesmo disse em entrevista que via pessoas passando bronzeadores dos mais modernos para escurecer a pele, mas ninguém as criticava.
Durante alguns anos seu talento foi esquecido e deu lugar as acusações de abuso sexual de menores. Acusações essas que nunca foram provadas, diga-se de passagem. Aliás após a sua morte, um dos garotos que teria sido acusado, revelou que tudo não passou de mentira e que ele fez isso a pedido dos pais…
Mas a imprensa não precisava de provas, ela queria simplesmente acusar para vender, ter audiência.
Michael Jackson era uma pessoa com problemas psicológicos bastante graves. Em minha opinião ele precisava de cuidados, mas como bem disse Talese “ninguém o ajudou”, pelo jeito, nem os amigos mais próximos e os familiares.
Infelizmente Michael Jackson se foi e eu me sinto triste por isso. Os culpados pela sua morte foram os familiares, a imprensa e nós que de certa maneira consumimos o que era falado de ruim sobre ele. Porque se existe esse tipo de jornalismo, é porque existe um público querendo essas informações.
Que Michael Jackson continue desenvolvendo o seu talento onde quer que ele esteja. Para nós que ficamos nos resta continuarmos ouvindo as suas canções, vendo o seu trabalho que enchia os olhos por tanta beleza.
Mas nos resta também refletirmos sobre o julgamento que fazemos de outras pessoas, ás vezes sequer sem conhecê-las.
Quanto á imprensa, tenho dúvidas se um dia ela vai parar com esse trabalho nada ético de acusar, sem provas, apenas para vender. Na minha simples opinião a situação pode ficar ainda mais grave agora, com a decisão do Supremo.
Se um bom economista quer escrever para um jornal sobre o assunto, que ele seja obrigado a, pelo menos, cursar antes algumas disciplinas da faculdade de Jornalismo.
Nenhuma faculdade ensina tudo o que os estudantes precisam para entrar no mercado de trabalho, eu concordo. O dia a dia na profissão é que nos ensina a maioria das coisas, mas a faculdade é primordial para nos direcionar a realizarmos um trabalho ético.
Ainda vou falar mais sobre esse assunto, mas em outro post.
Esse foi para um desabafo apostem, escrito com muita emoção.
Enquanto o principal for o lucro,a vendagem,a banalização da vida pessoal das personalidades expostas,porque isso é alimentado por nós,as pessoas comuns que querem exaltar um mito por aquilo que não podemos ser ou julgar por que estamos no anonimato como juízes implacáveis de um comportamento que não tem a razão de ser um modelo…
Estaremos destruindo talentos.Eu apreciava sim,enquanto a loucura não tomou conta.Porque percebi uma necessidade de agradar quase que de sobrevivência e isso não combinava com o que eu pensava do mito.Mito!Vai dar saudades sim Dri.Não é qualquer um,era um gênio atormentado como uma terrível sina,de todos os gênios em seu sofrimento que deveria ser pessoal.Concordo com você em relação a decisão do Supremo.A ética é necessária em qualquer trabalho e principalmente o que move e informa a massa.É preciso escrever com instrumentos para tal.Isso exige responsabilidade.
E mais uma:grande essa do garoto que disse que a acusação não passou de mentira!O que adianta agora,se o que mais vendeu foi o lado torpe e mentiroso desse moleque delinquente do que um trabalho brilhante do astro?Talvez agora,ele sinta alívio,e até nos perdoe o dedo em riste.Ele não merecia.Esse é um desabafo com muita emoção,SIM.
e como Michael sempre dizia
Antes de me julgar, tente me amar
completaria o que foi escrito aqui