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Palestra realizada no CIESP SBC alerta empresários sobre a gravidade dos crimes virtuais

Projeto em tramitação no Senado pode responsabilizar empresas por crimes via web praticados por funcionários

 

Com o surgimento da internet o mundo passou por aquilo que alguns chamam de revolução digital. Os emails tornaram-se a solução mais rápida, dinâmica e econômica. Através da internet um executivo pode, por exemplo, participar de reuniões via vídeo conferência com as filiais de sua empresa e até mesmo com seus clientes e fornecedores, sem sair do seu local de trabalho.

Mas o uso indevido da internet vem propiciando cada vez mais a difusão de um novo tipo de crime. Muitos criminosos, até mesmo compondo grandes quadrilhas,  estão trocando o confronto pessoal com suas vítimas e a policia, que os delitos tradicionais geram, pelas atividades que utilizam a internet como arma. Essa modalidade de crime, segundo pesquisas, oferecem maior lucro e menor risco para os infratores. Entre as principais vítimas desses crimes estão as empresas de todos os segmentos, que em alguns casos acabam ficando com o prejuízo.

Esse foi o tema central da plenária realizada pelo CIESP SBC no último dia 29 de abril. O advogado Dr. Luiz Eduardo Amaral de Mendonça e o Delegado da 4ª D.I.G – Delegacia de Crimes Praticados por meios Eletrônicos – DEIC (Departamento Estadual de Investigação sobre o Crime Organizado), Dr. José Mariano de Araújo Filho falaram amplamente sobre ao assunto, esclarecendo  as principais dúvidas diante de um tema ainda tão complexo para um grupo formado por 150 associados.

Durante sua palestra Dr. Luiz Eduardo falou brevemente sobre a evolução histórica da Comunicação Coorporativa, passando pelo surgimento do correio eletrônico.  O advogado chamou a atenção para o fato de não existir uma legislação sobre correspondência eletrônica no ambiente de trabalho, o que deixa o empregador com uma série de dúvidas sobre até onde vai o direito de privacidade do empregado no que se refere ao monitoramento dos emails da empresa e a utilização de emails pessoais. Nesse sentido Dr. Luiz Eduardo deu algumas dicas importantes. Para ele o empregador deve deixar claro aos seus funcionários de que o email profissional é uma “mera ferramenta de trabalho”: “O empresário precisa ter em mente que a empresa é responsável pelos danos que seus empregados causem a terceiros ou demais empregados, é também obrigação da empresa manter um ambiente de trabalho saudável, a empresa tem necessidade de resguardar a segurança de suas informações. A correspondência eletrônica carrega a imagem da “marca” da empresa. A minha sugestão é que se criem políticas internas para o uso do email.”, explicou. Finalizando sua explanação o advogado deu uma dica importante. Para ele o email pessoal, assim como o acesso a internet para assuntos pessoais, deve ser vetado dentro das organizações.

Após a palestra do Dr. Luiz Eduardo foi a vez do delegado Dr. José Mariano alertar os empregadores sobre o descaso de muitos com a área de Tecnologia da Informação (TI) e os transtornos que isso pode causar: “Às vezes a única preocupação é com a solução mais barata pela falta de informação.” O delegado falou sobre os impactos do projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo, em tramitação no Senado, e que pode, entre outras coisas, responsabilizar os empresários por fornecerem o meio para a prática de crimes virtuais.  Se a rede de uma empresa estiver sendo utilizada para a disseminação da pornografia infantil, ou para baixar música ou filme pela web, por exemplo, o empresário será responsabilizado também. “A internet possibilitou uma verdadeira revolução tanto no âmbito sócio-cultural, quanto no âmbito político econômico. Ela é muitas vezes uma extensão da sua área de lazer, cultural, de negócios. A internet é uma rede mundial de informações que não nasceu para sofrer qualquer tipo de controle e então surgem algumas questões: Como controlar o que não nasceu para ser controlado? Como limitar o que não nasceu para ter limite? Como criar regra para o que não tem regras?”

Dr. José Mariano explicou que os criminosos têm concentrado seus esforços na exploração das fragilidades dos usuários para realizar fraudes comerciais e bancárias e alertou para o fato do brasileiro ter a síndrome do “click aqui”, ou seja, ele vai clicando em tudo quanto é tipo de email que recebe, sem se certificar a fonte.

O delegado explicou que o bandido não quer mais trocar tiros com a polícia: “O crime eletrônico tem lucratividade alta. A única preocupação é o “quanto vou ganhar”.”

Finalizando a sua palestra, Dr. José Mariano alertou que os crimes eletrônicos só vão ser controlados com sucesso à partir do momento que houver um movimento cobrando os governantes: “O problema é sério, vem de muitos anos e eu não vejo boas perspectivas. É necessário um clamor popular.”

Mauro Miaguti, Diretor Titular do CIESP SBC também chamou a atenção para a importância de uma mobilização por parte dos empresários: “Se o empresário não sabe o que está sendo tratado em Brasília, por exemplo, se não buscarmos mais informações no que se refere aos crimes eletrônicos, corremos o risco, mais uma vez, de ficarmos com a conta. Essa é mais uma prova de que a nossa participação nas questões políticas precisa ser maior. O CIESP SBC procura fazer a sua parte trazendo para seus associados palestras esclarecedoras como essa.”

Emerson Beneton, Diretor de Tecnologia da Informação do CIESP SBC explicou que há algum tempo vem acompanhando as notícias sobre os crimes virtuais e especificamente o trabalho do delegado José Mariano: “A nossa ideia com esse evento foi fazer com que os empresários levassem um baque mesmo e se sensibilizassem para a gravidade do assunto e com o risco de pagarem a conta, mais uma vez. Eu trabalho com segurança de informação e noto que existe muita falta de conhecimento sobre esse tema. Infelizmente ainda são poucas as empresas que fazem investimentos na área de TI, o que aumenta a vulnerabilidade no que se refere aos crimes praticados via web.”


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